Uma evidência portanto mas uma evolução também. É que até há pouco tempo os responsáveis da CM Seixal entendiam (escudados num estudo da Universidade de Aveiro que pagaram a peso de ouro) que a dinamização turística do concelho se deveria fazer através de.
- Percursos interpretativos ecológicos, com especial incidência na observação de aves.
- Percursos museológicos descentralizados ligados ao trabalho com especial enfoque no antigo alto-forno da Siderurgia Nacional.
- Turismo cultural com base nos eventos culturais realizados pelo município e eventualmente com destaque para a festa do Avante.
Ora tirando o facto duma responsável da autarquia, mais ao menos na mesma altura em que foi realizado o estudo, frequentar a universidade de Aveiro, fácil é ver que nenhum mérito existe neste documento.
Observar aves ou praticar qualquer outra actividade ligada à ecologia no meio duma urbe com mais de 150.000 habitantes só podia lembrar mesmo a um pato bravo, visitar fábricas abandonadas só passará pela cabeça dum comunista que parou no tempo do Elvis e finalmente considerar que a oferta cultural do Seixal justifica a visita de turistas não lembra mesmo a ninguém!
Pelo que até mesmo a aliança comunistas/patos bravos que vem governado o Seixal nas últimas décadas abandonou a ideia, trocando-a desta vez pela tese peregrina de pequenos portos de abrigo espalhados por toda a baía…
O objectivo é evidente, a autarquia não gasta um chavo (que aliás não tem) e passa a responsabilidade da construção das infra-estruturas necessárias para os particulares.
Só que quem idealizou este modelo certamente não sabe distinguir bombordo de estibordo e ainda não percebeu o título desta crónica.
Vejamos, para se ter uma marina ou cais de acostagem o primeiro requisito necessário é que o local seja navegável, digamos que é um mínimo; e já agora que seja navegável em qualquer fase da maré. Ora não é isso que acontece, a maioria dos locais propostos para a instalação de portos de abrigo apenas são acessíveis através dum canal e quando a maré está cheia ou próximo disso. Imagine que é dono dum barco sai de casa de manhã com a sua família para dar um passeio na sua embarcação e ao chegar à mesma percebe que o poderá fazer sim, mas dali a quatro horas! O que fará procura uma marina onde possa usufruir do seu barco sempre que queira não é?
Evidente e esta é a primeira razão pela qual este projecto não será viável.
A segunda razão pela qual o projecto não é adequado é que pequenas marinas não são viáveis do ponto de vista económico para utilização turística (presumo que a ideia não será apenas guardar os barcos dos pescadores - mas sim através do turismo dinamizar o tecido empresarial da região), e não são viáveis porque não basta ter o cais de acostagem, é necessário criar infra-estruturas de acolhimento, quem já fez uma viagem de barco sabe que ao acostar anseia-se por uma casa de banho onde se possa tomar banho por exemplo, quem não tem dinheiro para criar uma destas infra-estruturas vai criar meia dúzia?
Mas mais estes serviços necessitam de ser geridos, tem de existir um funcionário que é contactado via rádio a quem se pergunta se tem lugar para nós na marina, se sim qual é esse lugar, com quem se faz o check-in, de quem se recebe as chaves do ancoradouro e a quem, naturalmente, se paga o serviço prestado. Virão assim tantos nautas ao Seixal que permitam rentabilizar dúzia e meia destes postos de trabalho?
Claro que não!
P.S: Se quem pensa estas coisas soubesse que o ponto mais alto do mastro dum barco à vela se chama caralhete, certamente não cometeria estes erros.

1 comentários:
Realmente... Do alto do mastro.
Quem conhece razoávelmente as margens da baía sabe no que a coisa ia dar. E uma iniciativa deste tipo, para ser mínimamente viável, teria que ser coordenada com outros municípios - pelo menos até Vila Franca de Xira. A não ser que a idéia seja andar de kayak pela baía...
A questão do assoreamento é no mínimo preocupante. Há algum plano (ou projecto)para desassorear a baía?
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